Leonardo Brant Sobre a Relação Cultura e Educação
Um dos assuntos mais controversos (e menos discutidos) das políticas culturais é a relação intrínseca da cultura com a educação. Vivemos uma espécie de trauma pós-separatório, influenciado por um tratamento periférico nos tempos que o MEC (Ministério da Edução e Cultura) ainda incluía seu irmão mais pobre. Está na hora de superá-lo e avançar na discussão sobre a educação, propondo soluções para o grande problema estrutural do Brasil: formar a maioria jovem e prepará-la o novo país que desejamos construir.
Não há nada mais gritante do que o abismo e a falência do sistema educacional brasileiro. Embora consuma grande parte do orçamento, o arcaismo bancário que tomou conta da educação impede os avanços necessários para alçarmos um novo patamar, que inclui ampla garantia dos direitos culturais, da livre informação e expressão.
Em todos os grandes modelos e metodologias educacionais, o exercício das expressões artísticas e culturais têm se de revelado como um denominador comum. Nada mais lúdico, criativo e inspirador do que a cultura da convivência, inerente às atividades artísticas e culturais, seja ela uma visita ao museu, o aprendizado do teatro ou a análise crítica da mídia. Não podemos mais admitir que o nosso futuro seja dominado por uma educação burocrática, baseada numa estrutura funcional da ditadura militar, preparando sub-cidadãos, acomodados com o Estado-pai, incapazes de agir e participar da vida cultural e política.
Paulo Freire é o grande mestre inspirador de escolas e sistemas educacionais em todo o mundo. Sua pedagogia crítica, no entanto, não foi incorporada, além da apropriação indébita do discurso comum às nossas estruturas políticas, em nossa educação. Sua inspiração, no entanto, foi bem absorvida em escolas particulares que servem a elite. Meu filho estudo em uma dessas escolas e observo os avanços em relação à educação pública que eu tive, e que só piorou da ditadura pra cá.
Um novo projeto educacional precisa ser desenvolvido urgentemente no país. As políticas culturais não podem se abster a esse processo. As interações entre MinC e MEC foram insuficientes e fracassadas. Partiam do princípio da contribuição da cultura à educação. Avanços como a inserção de elementos e referências africanas e indígenas no processo de formação são interessantes, mas insuficientes para o tipo de desafio que temos pela frente.
A Internet, as redes culturais, a cultura colaborativa e a possibilidade de acesso ao conhecimento e exercício da expressão são elementos que não podem faltar ao cardápio educacional do país. As escolas precisam abrir suas portas para comunidades, deixando de ser prisões para transformar-se em equipamentos culturais, com projeções de filmes independentes, que abordem a complexidade humana, além dos mitos fabricados em Hollywood, peças de teatro e exposições, com programação das próprias comunidades e de outras, a partir de um sistema artesanal, simples e desburocratizado (quase tribal) de trocas e circulação de cultura. Enfim, precisa deixar de ser escola para se tornar ponto de cultura.
Grades curriculares deveriam ser queimadas em praça pública. O conhecimento precisa ser construído a partir do indivíduo e da comunidade para o mundo e não de Brasília para os quatro cantos do país. Isso sim é um dirigismo cultural que precisa ser superado por todos nós. Precisamos celebrar a capacidade de cada bairro, distrito, município, de cuidar da formação de suas crianças. A sociedade precisa se envolver com o processo de formação de seus indivíduos. Estado nenhum dará conta disso. O ditador já não dava, quanto mais este neoliberal em que nos atolamos.
A educação precisa ser uma responsabilidade de todos nós. E só será a partir do reconhecimento de sua dimensão cultural.
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Sobre “Leonardo Brant “ http://www.brant.com.br Pesquisador de políticas culturais. Autor do livro “O Poder da Cultura” e diretor do webdocumentário Ctrl-V::VideoControl. mais www. culturaemercado.com.br |


assina o post!
;b
por favor! assinar o post.
Quem é o autor?
o titulo diz:
leonardo brant sobre….
no final diz:
sobre leonardo brant e da uma descricao de quem e' ele, junto com uma foto do cara.
gente, quebra a cabeca pra saber quem e' o autor do texto.
se nao conseguirem tentem ir no endereco da web que ta ai, basta colocar na barra clicar e vai da la na pagina de onde veio o post.
o post ja esta mais do que assinado, ou vcs querem que haja uma assinatura tbem de quem colocou no blog (com autorizacao que tenho do autor)?
que diferenca faz, se o assunto interessa e acrescenta aa discussao?
pra que essa guerra de propriedade sobre algo?
alguem tem realmente alguma coisa a dizer ou so a ansiedade de saber QUEEEEEM!!!! postou isso?
ana maria rego
Nossa!!!!!!!!!!!!!!!!!
acho bom saber quem trouxe a informação.
é sempre bom saber com quem estamos conversando.
Acho que a comunicação tá sempre sujeita a ruídos gente, normal.
Meu lembrete para assinar o post veio mais como um hábito, ou talvez um ato-reflexo, uma curiosidade, uma quase "síndrome do anonimato" (talvez). E o emotion -> ;b é um codigo de informalidade que me permite avisar por escrito, a sutileza a leveza desse lembrete.
Mas de fato ele é desnecessário. E quando reforçado assume um outro cárater, burócratico, engessante, chato. E essa repercurssão me deu uma outra sensação. A de que tudo é tãããoooo controlado, que o mínimo deslize, o mínimo detalhe é vigiado, apontado… será que esse não é um “tom muito serio” que afasta as pessoas? Tenho que concordar com a Ana Maria nao existem regras, e devemos nos manter atentos pra nao cair em vicios e habitos, pra nao cristalizar em normas. O post tá assinadissimo!!!!
Talvez seja interessante identificar aqui o quanto conviver coletivamente é um desafio. O quanto trabalhar colaborativamente é também um desafio. E as vezes você só se dá conta de outras possiveis leituras para algo que voce viu/fez como simples, quando o outro traz um outro olhar, traz uma outra interpretaçao que difere da sua. Como diz o próprio Brant aí em cima "nada mais lúdico, criativo e inspirador que a cultura da convivência(…)".
Falando no texto, acho muito próximo de algumas coisas que conversamos a descrição que ele faz em (…)“a partir de um sistema artesanal, simples e desburocratizado (quase tribal) de trocas e circulação de cultura. Enfim, precisa deixar de ser escola para se tornar ponto de cultura.” Me lembra o Marcelo dizendo vamo nas hortas minha gente!
bjo.
isso é que é profanação… uma proposta clara, demolidora e reconstrutora de leo brant. faz todo sentido.
:: regina
Adorei o novo site!